O professor contemporâneo e as TDIC (2)

Painel.Paulo.Freire.jpg
Painel Paulo Freire – Imagem encontrada no Google Images, marcada para Reutilização não comercial com modificação.

Enquanto professores de vasta experiência, com boa formação acadêmica e de pesquisa, preocupados com os nossos alunos, estamos conscientes de que o mundo está se transformando de forma cada vez mais rápida e, devido a isso, nossos alunos também estão diferentes.

As regras de educação, a necessidade de impor limites, de aprender a se preocupar com o outro não mudaram, mas o nível de atenção e a forma de compreender o mundo mudaram. O aluno atual é mais visual do que antigamente; tem mais acesso, rápido e constante, a recortes de informação em diversas áreas de conhecimento do que antes, mas tem de ser estimulado a relacioná-los para a produção de conhecimento, pois não está amadurecido para tanto: há tanto o que ver que o foco está como último item de suas prioridades. Sua atenção, que antes durava pelo menos 20 minutos antes de passar o foco para outra atividade, dura hoje em torno de 10 a 5 minutos!!

E como podemos conseguir a atenção desses alunos, mantendo o prazer de exercer a nossa docência? Como eles podem aprender?

Temos de estar abertos ao fato de que devemos trabalhar em modelos de aula em que o professor não seja o centro de tudo e em contextos híbridos, alternando entre o analógico e o digital/virtual, para alcançarmos o êxito. Não se trata de abandonar o trabalho com instrumentos físicos (livros, aulas presenciais, experimentos em laboratórios, cadernos de cartografia etc), afinal todos são ferramentas de um tipo de tecnologia, mas associá-los a outros contextos e linguagens, inclusive à boa e velha linguagem audiovisual, além da digital.

Em outras palavras, trata-se de pensar no uso de um ambiente digital para apoio ao presencial, criando também eventos semipresenciais e a distância, em que as TDIC (Tecnologias Digitais de Informação e Comunicação) passam a fazer parte da rotina do processo de ensino, visando à aprendizagem significativa dos conteúdos escolares, de forma a que venham a fazer sentido para a atuação na sociedade.

QUAL O NOSSO PAPEL ENQUANTO DOCENTES? COMO NOS SENTIMOS? COMO BUSCAR SOLUÇÕES?

Embora haja muitos textos que informam que nossos alunos façam parte de uma geração denominada “nativos digitais”, temos que compreender que isso não significa que eles dominem TUDO sobre informática e o mundo digital.

Eles sabem acessar as redes sociais (Facebook, Instagram etc), enviar mensagens (Whatsapp, Messenger etc), assistir a um vídeo no Youtube ou outra plataforma de função semelhante, mas se solicitamos que realizem um trabalho com um editor de texto (Word, por exemplo) ou que produzam um vídeo e compartilhem via Dropbox, por exemplo, eles têm sérias dificuldades; ou seja, sabem fazer uso dos meios digitais segundo uma perspectiva do imediatismo. Dessa forma, passamos a ser responsáveis por seu letramento digital também.

Por letramento digital entendemos a porção do letramento que se constitui das habilidades necessárias e desejáveis desenvolvidas em indivíduos ou grupos em direção à ação e à comunicação eficientes em ambientes digitais, sejam eles suportados pelo computador ou por outras tecnologias de mesma natureza[1].

Para alcançar algum grau de letramento digital, as pessoas precisam aprender várias ações, que vão desde gestos e o uso de periféricos da máquina até a leitura dos gêneros de texto mais sofisticados que são publicados em ambientes on-line e expostos pelo monitor.

Entretanto, no processo de tal letramento, vários obstáculos se apresentam:

  1. a) o professor erradamente crê que os alunos sabem tudo sobre o mundo digital/virtual e sentem-se diminuídos, com medo de não conseguirem ter acesso e compreensão total de tal novo contexto;
  2. b) alguns professores desenvolveram certa resistência ao uso de ferramentas digitais, ou por medo ou por desconhecimento de como usá-las;
  3. c) um grande número de professores crê que será “um trabalho a mais” diante de tantos outros que terão de realizar, segundo demandas da direção e dos diversos setores pedagógicos da escola;
  4. d) em algumas instituições escolares falta o devido apoio ao aprendizado docente das ferramentas digitais, não há quem os apoie internamente, apenas encontros esporádicos, com palestrantes externos, e imensa cobrança sobre os resultados e não sobre o processo de desenvolvimento do trabalho;
  5. e) algumas instituições escolares não dispõem de infraestrutura adequada e ideal para o desenvolvimento de uma rotina escolar em que o uso das TIC esteja integrado ao cotidiano.

O item (a) já foi devidamente respondido antes de sua apresentação, a partir de uma perspectiva catafórica, dois parágrafos antes, neste texto. Os itens (b), (c) e (d) buscamos resolver nessa reflexão e colocando-nos, como integrantes que somos de uma  instituição escolar, a disposição para ajudar, mas solicitando também que o processo de troca de informações e de apoio entre os docentes seja estabelecido com mais frequência: no atual estágio, devemos nos ajudar e muito.

Quanto ao item (e), duas colocações devem ser feitas: em geral, as instituições vêm buscando, mesmo que às vezes de forma ingênua e desinformada (no sentido de não ter o conhecimento específico para tanto), equipar alguns dos ambientes para o uso das TDIC, embora muitas ainda disponham de apoio precário para manutenção, num processo lento, em que muitos ambientes encontram-se ainda desprovidos (ou parcialmente desprovidos) de equipamentos, sem as condições ideais para a utilização das TDIC.

Todavia, se formos esperar para que tudo esteja em condições ideais para o início dos trabalhos, nunca estaremos prontos. Então, aceitemos as condições que temos e nos conscientizemos, também por isso, que o contexto híbrido de trabalho é o mais aconselhável.

Além disso, para trabalharmos com as TDIC não necessitamos apenas de um ambiente fixo, um laboratório de informática, na escola. O mobimento, concebido a partir da utilização dos celulares com acesso à internet, ferramentas como o Whatsapp, o Telegram, o próprio Facebook, permitem-nos uma ampla gama de opções.

E você: como faz para que as TDIC sejam ferramentas auxiliares no dia a dia da sala de aula? Elas são o foco ou o meio?

Deixe aqui o seu relato!!

Até mais!!

[1] RIBEIRO, Ana Elisa. Letramento Digital: um tema em gêneros efêmeros. In: Revista da ABRALIN, v. 8, n. 1, p. 15-38, jan/jun. 2009.

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